28
Ago 07

 

 

«- sim, coração, tens razão
- (…)
- exacto, já disse que tens toda a razão
- (…)
- sim, hoje vou deixar que faças tudo aquilo que quiseres fazer
- (…)
- vou pegar na minha escova de dentes…
- (…)
- a meio do caminho faço isso…
- (…)
- não me vou esquecer, claro que não
- (…)
- sei… a meio do caminho…
- (…)
- nunca olhar para trás…
- e parar somente diante dele
- (…)
- vamos, vem comigo!

quando chegou a casa, já de noite, nem se apercebeu que horas seriam, encontrou-a ali deitada no chão, agarrada à sua mala e tapada apenas com o casaco que trazia, dormia tranquilamente como se sonhasse com anjos num jardim de maravilhas.
tocou-lhe na face e sentiu que estava gelada, como se tivesse assustada e com medo e o sangue lhe tivesse congelado nas veias
abriu a porta, tomou-a nos seus braços como uma pluma de desejo e inocência e levou-a até ao quarto, ali a deitou na sua cama.
num gesto de leveza, ela se moveu, algo trazia na mão, como um tesouro só dela mas que ansiava entusiasticamente partilhar, mostrando todo o seu mundo sem dúvidas nem defesas

uma flor

num momento de verdades, tudo percebeu, todas as peças se encaixavam agora depois de todos aqueles meses de turbilhão, de discussões, de paranóias e encanto
a flor

“uma flor para uma flor”
era o que o seu rosto dizia mesmo dormindo
não houve mais segredos
não foram precisas palavras

pegou na pequenina e frágil flor
e a seu lado se deitou
deu-lhe um beijo de boa noite na testa ainda meio fria mas mais rosada
um sorriso doce se inundou no seu rosto
ele sorriu de volta
jamais a iria largar
não agora...»
Escrito por Someone Else às 19:15

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